Eu procuro valor onde ninguém está olhando.
É a única coisa que fiz a vida inteira. Mudou o objeto, nunca o método.
Tenho TDAH e Altas Habilidades, e só descobri aos 40 anos. Foram quatro décadas sem diagnóstico e sem tratamento, com um cérebro que olha para tudo ao mesmo tempo. Vou tomar remédio a vida toda, e falo disso sem vergonha. Por isso a minha vida parece ter muitas frentes: sou inspetor de polícia, fundei a Otimiza.pro, escrevi A Culpa é das Ovelhas e escrevo O Livro do Não Fazer. Parece dispersão, mas é um olhar só: procurar valor onde ninguém está olhando. Quem viveu sem foco aprendeu a proteger a atenção, e hoje é com isso que eu trabalho, num mundo que perdeu a sua para o excesso de informação. Ajudo a cortar o que rouba tempo, dinheiro e atenção.
O custo que ninguém olhava
Nos anos 2000, eu trabalhava na Riocard, uma das primeiras fintechs da América Latina. De dentro da operadora, via todo dia uma conta gigante passar batida: o vale-transporte. Caro, burocrático, obrigatório. E invisível. Ninguém auditava, porque ninguém olhava.
Eu olhei. E desenvolvi ali a Gestão Inteligente de Vale-Transporte: a reengenharia da compra da tarifa comum, que transforma um custo cego em custo gerenciado.
O método veio primeiro. A empresa veio depois: fundei a Otimiza.pro em 2019, e hoje ela já devolveu mais de R$ 1 bilhão ao caixa de mais de 1.000 empresas, integrada a todas as operadoras de vale-transporte do Brasil.
O aluno que ninguém olhava
Toda empresa que economizou com a Otimiza deve alguma coisa a um aluno que repetiu a 4ª série.
Esse aluno não concluiu o ensino médio no período regular. Começou e abandonou três faculdades: Letras, Administração e Ciências Econômicas. Pelos critérios da escola, era um caso perdido.
Esse aluno sou eu. E aos 40 anos fui diagnosticado com o perfil cognitivo que explica o contraste: TDAH e Altas Habilidades/Superdotação do tipo criativo-produtivo: o perfil que não brilha na prova, mas cria o que não existia.
A escola não estava errada sobre o meu boletim. Estava errada sobre onde olhar.
A atenção é recurso escasso
Levei tempo para perceber que o VT e o boletim eram o mesmo problema. Nos dois casos havia valor real, à vista, e um sistema inteiro apontando o holofote para o outro lado.
É isso que eu faço hoje, dos dois lados da mesma moeda:
Subtrair o que rouba atenção.
É a tese de O Livro do Não Fazer: produtividade não é fazer mais, é cortar tarefa errada. A tesoura, não a caneta. É o #OtimizeSe.
Medir a atenção que ninguém vê.
É o NeuroInPixels: fenotipagem digital passiva (ler sinais psicológicos que nenhum boletim e nenhum RH enxerga).
Conquistar atenção sem mentir.
É engenharia de gancho: a promessa tem que ser irresistível e tem que ser cumprida. Gancho que mente até funciona no clique. E morre na retenção. Clickbait que não entrega não é desonesto só na ética: é engenharia ruim, porque o próprio algoritmo cobra a conta.
Investigar não é metáfora
Sou Inspetor de Polícia Penal do Rio de Janeiro.
Escrevi dois livros que parecem não ter nada em comum. O Livro do Não Fazer é sobre cortar o que não merece a sua atenção. A Culpa é das Ovelhas é exegese: ler a fonte de perto e cortar o erro da tradução.
São o mesmo gesto. Olhar com cuidado onde ninguém olhou.
Como eu trabalho
Continuo fundador mão na massa. Gosto de prototipar, escrever o código e testar a ideia eu mesmo antes de pedir para o time construir, porque produto bom nasce de quem entende o problema a fundo e não tem preguiça de colocar a mão na ferramenta.
Casado desde 2003, pai de três filhos, esposa neurodivergente e filhos também neurodivergentes. Moro no Rio de Janeiro. Pego problemas chatos e caros do mundo corporativo ou do cotidiano das pessoas e os transformo em produtos digitais simples de usar.